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September 07 Maurício de Sousa e seus avistamentos... Crônicas dos avistamentos de Mauríco de Souza !
Nosso querido Maurício de Souza, também teve seus avistamentos e escreveu crônicas contando cada um deles... Vou postar aqui as crônicas dele e quem quiser lê-las direto da fonte, procure em: www.monica.com.br clique em Maurício de Souza e em Crônicas Anteriores, são as crônicas 101 a 106 ! PRIMEIRA CRÔNICA:
Quatro de dezembro de 1977. Domingo. Quase nove da noite.
Percorro de carro os 50 quilômetros que separam Mogi das Cruzes de São Paulo. Céu encoberto.
Nuvens baixas. Neblina...
Estou na estrada velha Rio-São Paulo.
Acabo de atravessar a cidade de Suzano e cruzo uma passagem de nível, pouco antes de Poá, cidade vizinha.
Venho sozinho, de uma visita à chácara de minha avó. Minha esposa, Alice, que sempre me acompanha, hoje ficou retida em visita à sua irmã, na maternidade.
Viagem tranqüila, em baixa velocidade devido ao nevoeiro que surge aqui ou ali em alguns pontos da estrada.
Mas no que cruzo os trilhos da ferrovia, em Poá, as nuvens baixas se abrem numa fenda, de norte a sul, e exibem um lindo céu cheio de estrelas.
A noite fica mais bonita enquanto pego um retão de estrada. É um bom passeio de volta. Com música suave no rádio. Até que, quase no fim da reta, percebo pelo canto dos olhos, lá longe, à direita, uma luz em movimento no céu. Bem próximo da linha do horizonte.
Imagino que é uma estrela cadente (um meteorito) queimando ao entrar na atmosfera. E continuo dirigindo, olhando para a frente, para a estrada.
Mas pelo canto dos olhos vou percebendo que o brilho continua ali, no céu, movendo-se e aumentando de intensidade.
Curioso, desvio os olhos da estrada e constato que o que vem se aproximando, é um tipo de estrela.
Não está "cadente". Está voando a uma velocidade regular...e aumentando de tamanho.
Tenho um pressentimento de que vou assistir a alguma coisa incomum.
Procuro um local para estacionar fora da estrada. Encosto meu "Dodge", num espaço de parada de ônibus, ao lado de uma fábrica. Mas agora, com os olhos grudados na "estrelona" que se aproxima.
Penso em pegar minha Nikon, atirada no banco de trás do carro, prontinha para disparar, mas me lembro que vai ser difícil acertar os comandos da câmera, rapidamente. A Nikon não é do tipo automático.
E me dou conta de que sou desenhista.
Prefiro olhar tudo muito bem olhado, registrar na memória e depois tentar desenhar o que vi. Não quero desviar os olhos um segundo daquele objeto gigantesco, estranho, que vem se aproximando. Um objeto de cor alaranjada, em toda a extensão.
Seu formato é o de uma bola levemente achatada em cima e em baixo .
Noto perfeitamente o traço do seu formato contra o negro do céu. É brilhante. Mas o brilho não se irradia pelo espaço. E a medida que vai passando, deixa um rastro azulado-claro por uma extensão igual à metade do seu tamanho. E esse rastro se mantém estável durante todo o tempo da passagem, como fogo de um bico de gás de cozinha, aceso.
Observo que o rastro azulado não esbarra, não se mistura ao corpo principal. Há um espaço, como uma linha fina, separando rastro do objeto, deixando ver o céu, atrás.
Ainda estou ao volante do carro, com os olhos pregados no céu.
Desligo o rádio. Abro os vidros em busca de algum som.
Nada.
O grande objeto desliza silenciosamente, à grande altitude.
E à sua maior aproximação, já ganha as proporções de uma grande lua cheia no seu "nascente".
Aquela lua grande, aumentada pela atmosfera da terra, olhada de viés.
No corpo do objeto, apenas luz alaranjada.
Não percebo nenhum detalhe.
É como se eu estivesse olhando para um poço de lava incandescente.
Eu me seguro para não pegar a câmera ali no banco de trás. Mas não quero perder nada.
E o grande objeto vai passando, deslisando, para o sul. Em linha reta, velocidade estável, diminuindo de tamanho, enquanto se afasta, até sumir no horizonte.
O tempo da passagem? Esqueço de marcar, mas se o objeto estivesse a uma altura de grandes aviões de carreira (10 mil metros) ele estaria desenvolvendo o dobro da velocidade desses aviões.
Depois da passagem, ainda fico sentado, quieto, no carro, sem entender muito bem o que eu vi.
Olho para adiante do carro. Percebo a uns cinqüenta metros, um jovem de pé, olhando para o ponto do céu onde o objeto sumiu.
Desço do carro e vou até ele.
"Você viu essa coisa que passou voando?"
Ele me olha com uma expressão assustada:
"Vi! mas... Aquilo não era avião, não!"
Dou-me por satisfeito.
Agradeço e volto para o carro.
Eu não tive visões.
Mas...Como explicar aquela coisa linda e estranha?
Ainda se eu acreditasse em discos voadores, seria um prato cheio.
SEGUNDA CRÔNICA:
Esquadrilha de discos no Ibirapuera Inverno de 1977.
Domingo de sol no "Parque do Ibirapuera", em São Paulo.
Eu e Alice, minha esposa, observamos nossas filhinhas gêmeas —Vanda e Valéria— de seis anos, patinarem sob a grande marquise.
Alice acomoda-se, sentada, no gramado. Eu estou deitado com a cabeça em seu colo, olhando para um céu que começa a mudar de cor. Tons alaranjados nas poucas nuvens visíveis aqui e ali, indicam que um pôr do sol lindo se aproxima.
Descanso os olhos olhando para o alto, para o nada que paira bem acima de mim.
De repente percebo algo de estranho no céu.
Custo um pouco a "focalizar", mas depois de algum esforço, noto uma série de bolinhas se movimentando pra lá e pra cá no espaço.
São esferas metálicas, todas com a mesma dimensão, que revoluteiam como se tivessem marcado um encontro bem ali em cima do parque.
Havia grupos de três, quatro, próximos. Dali a pouco chegam mais duas. Em seguida, mais uma, depois mais uma ou outra se afasta em grande velocidade e de repente chega mais uma formação.
O sol quase no poente ilumina as esferas de lado e denuncia suas formas perfeitamente arredondadas, com a sombra de um lado e o brilho metálico meio opaco, do outro.
Depois de alguns minutos de admiração e curiosidade, peço para Alice olhar para cima —exatamente na vertical— e me dizer o que vê. Ela custa um pouco a focalizar os objetos em formação irregular, que vem e que vão.
Mas quando percebe, fica tão admirada quanto eu.
Peço que ela descreva os movimentos, quem chega, quantos saem, e ela vai dizendo exatamente o que eu vejo também.
Ficamos ali muitos minutos assistindo ao balé das esferas.
Não tenho nenhum impulso de chamar alguém para mostrar o espetáculo.
Podem não ver nada. As esferas estão muito distantes, no alto, e ainda corro o risco de ser olhado com desconfiança.
O céu começa a escurecer. As crianças retornam, querendo beber alguma coisa.
Alice e eu voltamos os olhos para a Terra.
Ela ainda comenta... "Pareciam girinos voadores!"
E pareciam mesmo. Pela quantidade e forma como se moviam no céu.
Anoitece.
Voltamos para casa com mais um mistério para me ser explicado, um dia.
TERCEIRA CRÔNICA: Faróis e Luzes no céu. Noite de domingo. Data perdida.
Tempo encoberto.
Dirijo um Gol branco, alugado. Meu Dodge deu problemas e precisei arrumar outro carro para ir visitar minha avó, em Mogi.
Minha mãe me acompanha, nesta noite, sentada no banco de trás do carro, não me lembro porque.
Agora estou de volta a São Paulo e passo pela avenida marginal do rio Tietê, à altura do campo do Corinthians.
No alto dos postes, luzes amarelas ajudam a iluminar uma noite de nuvens muito baixas. Alguns prédios, ao longe, são engolidos na sua parte mais alta, pela neblina.
Viagem tranqüila até aquele ponto, quando noto um carro estacionado num recuo da avenida.
O motorista está em pé, ao lado do veículo, olhando atentamente para alguma coisa do outro lado do rio.
Procuro o motivo de sua atenção e vejo um poderoso facho de luz atravessando a neblina, acima dos edifícios.
O foco luminoso branco varre as nuvens na horizontal, num sentido horário, como se fosse um ponteiro de relógio.
Lentamente.
Resolvo parar o carro para ver melhor.
Encosto no recuo seguinte da avenida e saio do carro.
O facho de luz continua virando da direita para a esquerda.
Firme, imóvel, na sua base.
A luz é muito forte e aparentemente está a baixa altura.
Agora lentamente, num movimento regular de rotação, começa a perder intensidade quando o foco vai virando para outro lado.
Mas eis que surge outro poderoso facho de luz, girando com a mesma tranqüila velocidade da direita para a esquerda.
A base de onde sai o foco de luz fica um pouco mais para cima do que a anterior. É como se dois faróis estivessem presos numa mesma haste circular, cada um iluminando um lado.
É uma visão totalmente inexplicável. Mas desta vez isso não fica sem registro.
Ao contrário da outra noite em que vi um grande objeto luminoso (contei na primeira parte desta série), tenho uma câmera toda automática. Vou tentar fotografar o fenômeno.
Fotografei o que vi, captei o que não vi.
Corro para o carro, apanho a máquina, mas quando me disponho a usá-la, o facho de luz já vai virando para outro lado, sumindo.
Estou frustrado. Perdi de assistir a última "varrida" da luz enquanto caçava a câmera.
Mas nisso, noto outra "esquisitice" no céu: mais ou menos à esquerda de onde estavam os "holofotes", começam a pipocar luzes menores cor de violeta, a distâncias variadas e sem ritmo.
Continuo não entendendo o que é aquilo mas, como a máquina está na minha mão, vou tirar uma foto.
Fixo a câmera no teto do carro e disparo em direção às luzes, num céu borrado de neblina amarelada.
A objetiva se abre gulosa de claridade para sensibilizar o filme, uns cinco segundos.
As luzes ainda estão ali, piscando irregularmente numa grande área do céu.
Aciono a câmera de novo.
"Não vai sair nada!" Eu penso.
Em seguida, as nuvens baixas terminam por engolfar todas as luzes. O céu, totalmente encoberto, volta a tranqüilidade.
Entro no carro e pergunto à minha mãe se ela tinha visto o que eu vi.
Ela, sonolenta, confessa que não viu nada. Mas...
Quem sabe com as fotos?
Dia seguinte à minha viagem a Mogi, chego ao estúdio e encaminho o filme para revelar.
Curiosíssimo.
Eu havia batido duas chapas.
Alguma coisa deveria aparecer.
Naqueles tempos ainda não havia a revelação semi-instantânea de hoje.
Suportei minha curiosidade mais um dia.
Até que as fotos finalmente chegaram.
Que pena, uma saiu totalmente velada. Outra me mostra um céu de nuvens baixas, pesadas, iluminado pela luz amarelada dos postes da avenida.
Mas ali na parte esquerda da foto, uma coisa estranha me chama à atenção: há uma formação de luzes amareladas dispostas como um colar de pérolas, meio inclinado, como se visto de frente, fazendo um oval, num céu borrado de neblina amarelada.
Mas, se eu vira luzes roxas, por que as luzes saíram amarelas na foto?
Mandei fazer outra cópia fotográfica ampliando somente a área onde se via o oval.
E na nova foto o "colar" se mostrou mais evidente no formato e no distanciamento totalmente regular entre as luzes. Que continuaram amarelas.
Explicações para o fenômeno? Eu não tenho.
E o pior: não acredito em discos voadores.
Mas quem me explica essas coisas todas que andei vendo, assistindo, com ou sem companhia? E ainda com direito a foto?
O que mais virá por aí?
Por via das dúvidas, quando posso, ponho os olhos no céu, sempre com uma câmera à mão.
De repente...
QUARTA CRÔNICA: Os espetáculos naturais do céu "Este é um avistamento, mas não exatamente de ufos..." Se o céu nos presenteia com espetáculos inexplicáveis, às vezes também nos brinda com lindos momentos de contemplação.
Quem não se maravilha ante um pôr-do-sol pintado com todas as cores imagináveis, em gigantescos painéis impressionistas? Quem não viu ou ouviu falar de auroras boreais? Ou se deparou com arco-íris maravilhosos aureolando a natureza molhada de há pouco? O céu azul é uma bênção para os olhos, mas um ziguezague de um relâmpago no meio de nuvens de chumbo é igualmente um espetáculo fascinante.
Basta ter olhos para o céu, para a natureza, e teremos o maior espetáculo ao nosso alcance, de graça, sem mistérios.
Como as estrelas, milhões delas, rebrilhando no leitoso de nossa galáxia, ou os planetas do nosso sistema, brilhando comportadinhos, certinhos, no céu limpo.
Até nossa Lua, satélite solitário, tem sua poesia, seu lugar, na nossa busca de beleza.
Mas há espetáculos explicáveis e inesperados. Como os meteoritos que cruzam o céu de repente, com seu fio de luz que se esvai antes de atingir a Terra.
O que é uma sorte. Fica só no show. Porque quando é muito grande, vira um buraco de bom tamanho na superfície do planeta, com todas as conseqüências que isso possa trazer. Veja exemplos nos últimos filmes que falam do assunto e que mostram os estragos, felizmente fictícios, que asteróides ou cometas poderiam provocar.
Há alguns casos, porém, que podem assustar um pouco.
Eu me assustei com um.
Foi há alguns anos, quando viajava de Osvaldo Cruz, uma pequena e distante cidade do estado de São Paulo, com destino à capital.
No carro, eu e meu cunhado Mauro Pereira, que dirigia. No banco de trás, nossas mulheres dormiam. Devia faltar uma hora para o amanhecer. E à nossa frente se espraiavam campos e plantações em ondulações suaves, iluminadas por uma lua tardia. Céu sem nuvens pintado de estrelas.
Nisso somos surpreendidos por uma corpo celeste que entra brilhando como um relâmpago na atmosfera, quase na vertical. Sulca o escuro do céu e em seguida explode com a força de muitos sóis. A terra, os campos, nossos olhos, são atingidos por um brilho que nunca havia presenciado antes. A luz é clara, branca, como de um flash de câmera fotográfica. Não deu tempo de desviarmos os olhos nem fazer qualquer comentário. Mas assim que há a explosão, imaginamos que vai acontecer o que sempre acontece. O meteorito vira pó, e o céu se acalma.
Desta vez não foi assim.
O corpo celeste continua na sua trajetória, num fio de luz, e depois de mais uma deslizada rápida como um raio pelo céu, explode de novo, agora em tonalidades avermelhadas. E a terra, os campos, nossos rostos, recebem um novo bombardeio de luz fortíssima, rosada.
Aí finalmente a coisa parou.
O meteorito ou fosse o que fosse acabou de queimar bem pertinho da terra.
O que eu acho que foi uma sorte.
Aquela coisa, daquele tamanho, poderia fazer algum estrago lá pelos lados de São José do Rio Preto, para onde nos dirigíamos naquele momento.
Depois disso vi muitos meteoritos cruzando os céus.
Mas nenhum tão espetacular como aquele explodindo em duas cores.
Hoje, principalmente quando estou na minha chácara e a noite está limpa, apago as luzes em volta da piscina, faço um escurinho gostoso e nos deitamos nas espreguiçadeiras, eu e meus filhos, para "caçar" satélites que passam aqui e ali, com diversos tamanhos, brilhos e rumos.
É o espetáculo explicável, relaxante, que está ao nosso alcance em quase todas as noites.
Aqueles outros casos de aparições estranhas, mencionadas em crônicas anteriores, deixo para os estudiosos de fenômenos espaciais me explicarem, um dia. Trackbacks (1)Weblogs that reference this entry
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